Licores na Produção de Papel e Celulose – Como São Utilizados?

Atualizado em 10/03/2021

Em 2020, o Brasil atingiu cerca de 21 milhões de toneladas de celulose produzidas, o segundo maior volume da história do país, segundo dados divulgados pela Indústria Brasileira de Árvores (Ibá).

A partir dela, a produção de papel no país foi de 2,57 milhões de toneladas no terceiro trimestre de 2020.

E, hoje, nós vamos abordar uma outra vertente dentro desse tema: os tipos de licores utilizados na indústria.

Boa leitura!

Para que são utilizados os licores na produção de papel de celulose? 

Os licores são utilizados na digestão, etapa considerada o “coração” do processo de produção de papel e celulose, onde os cavacos escolhidos no processo anterior chegam ao digestor.

No digestor ocorre a impregnação do cavaco com o licor branco – solução aquosa alcalina que contém reagentes, como o hidróxido de sódio (NaOH) e o sulfeto de sódio (Na2S) em temperaturas entre 110º e 120º C, e pressão entre 8,0 e 10,0 kgf/cm2.

Em algumas linhas de produção, a impregnação de licor no cavaco pode acontecer em vasos que antecedem o processo de digestão, conhecidos como Imp.Bim.

Como acontece a formação dos licores Branco, Verde e Negro

Durante o cozimento, ocorre a dissolução da lignina, a partir da reação do licor branco com a madeira, transformando os cavacos em celulose marrom.

Da reação do licor branco com a lignina é gerado o licor negro. Nele, se concentram, além da lignina, quase todos os reagentes e várias outras substâncias vindas da madeira utilizada.

Além do licor negro, o licor verde também é formado a partir da adição de licor branco fraco ou água quente nos materiais inorgânicos do licor negro.

A primeira etapa consiste em um tratamento por filtração ou decantação para remover as cinzas e as impurezas sempre presentes após um processo de queima.

A segunda etapa é o processo de caustificação, onde é adicionado ao licor verde o óxido de cálcio (CaO), que reage com o Na2 CO3 e forma novamente o hidróxido de sódio (NaOH).

Assim, o licor branco forte é recomposto, com a adição de uma lama calcária que é precipitada na reação. Essa lama é separada e enviada para um forno de cal, onde ocorre a calcinação da lama, regenerando o CaO, para reutilização no processo, e liberando CO2.

O licor branco regenerado também retorna ao processo de digestão, fechando o ciclo.

Você sabe qual é a importância da autogeração de energia na indústria de papel e celulose?

Se há alguns anos a indústria de papel e celulose tinha de importar energia elétrica para suprir a demanda de seus processos, a realidade é bem diferente: as fábricas mais atuais são capazes de produzir energia necessária para seus próprios processos.

Em nosso post sobre a produção de papel e celulose, falamos, entre diversas etapas, sobre a de branqueamento, que serve para separar a celulose de outros resíduos. Os restos de madeira não utilizados são queimados em caldeiras e transformados em energia elétrica em turbogeradores a vapor.

Inclusive, a energia gerada nesse processo alimenta o próprio processo de fabricação do papel com o licor negro!

Além do licor negro, cada vez mais valorizado, as empresas de papel e celulose contam com outro aliado: o gás natural, em vez do óleo combustível para complementar o fornecimento energético. Essa substituição causa um impacto positivo, também, para a preservação do meio ambiente.

A importância da utilização de energias renováveis e alternativas aos combustíveis fósseis, como o licor negro e o gás natural, também chama a atenção se pensarmos que o segmento de papel e celulose é um dos maiores consumidores de energia elétrica do Brasil.

Conclusão

O Licor Branco é utilizado no cozimento da madeira, e é o responsável por separar as fibras de celulose da matriz de lignina. Já o Licor Verde é o licor originário da dissolução dos sais fundidas da caldeira de recuperação. E o licor negro é a consequência do processo de cozimento da madeira.

É importante ter em mente que, como existem diversas fases nesse processo, uma instrumentação de qualidade precisa ser utilizada.

Por isso, o seu próximo passo é buscar por um fabricante que realmente esteja comprometido em ajudar vocês a enfrentarem o seu problema de medição de nível mais específico.

FONTES

  • Mais de 35 anos de experiência em automação e controle de processos.
  • Mais de 13 mil horas de engenharia de aplicação on-site
  • Mais de 5000 soluções de instrumentação desenvolvidas